sexta-feira, 24 de junho de 2016
quinta-feira, 17 de julho de 2014
INFECÇÃO SISTÊMICA POR IRIDOVÍRUS EM TILÁPIAS
Os
iridovírus são conhecidos por infectarem invertebrados (principalmente insetos)
assim como alguns grupos de vertebrados, como peixes, anfíbios e répteis.
Possuem tamanhos que variam de 120 a 300 ηm
de diâmetro, apresentando formato icosaédrico. Possuem DNA de fita dupla
(dsDNA), geralmente com tamanho variando de 100 a 210 Kpb. Apresentam genoma
com terminais redundantes e circularmente permutados. Os vírions desta família
são formados por um capsídeo (externo), uma membrana lipídica intermediária e
uma estrutura central (core) formado por DNA com proteínas associadas.


ViralZone.expasy.org
A
iridovirose é uma doença infecciosa que ataca geralmente os peixes alojados nos
berçários (5 – 60gr de peso médio), mas pode atacar também os peixes na fase de
engorda. Se não houver o controle, a doença pode causar 90% de mortalidade
dentro de 1 mês ou mais após o alojamento dos alevinos. Em algumas situações a doença
pode ser crônica, não apresentando pico de mortalidade. Os principais sintomas
observados da doença são; peixes no fundo e nas laterais das gaiolas com
natação letárgica e pele escura. Apresentam as brânquias e órgão internos
pálidos, principalmente o fígado. O iridovírus também causa a imunodepressão deixando
os peixes susceptíveis à doenças secundárias.
Pesquisadores
do Canadá realizaram análises de juvenis de Tilápias importadas da Flórida. Os
peixes apresentavam sinais como: natação letárgica e parados no fundo dos
tanques; ascite (“barriga inchada”); diferentes graus de exoftalmia e palidez
nas brânquias e nos órgãos internos e alguns apresentaram hemorragias no
fígado. Foi realizado swabs dos olhos e do tecido dos rins dos peixes. Confirmaram
a presença de três colônias bacterianas, no entanto, nenhuma delas era
predominante. Isolaram e identificaram uma das colônias como sendo Aeromonas hydrophila. Através de
análises por microscópio eletrônico, os pesquisadores conseguiram identificar
partículas virais poliédricas nas células do fígado, rins e baço. A ausência de
bactérias e lesões bacterianas nas sessões histológicas indica que qualquer bactéria
encontrada nos peixes eram invasores secundários.
Segundo
Neil Wendover, diretor de marketing estratégico da aquicultura global da
Cargill, não há tratamento para o iridovirus e a única opção para controle dos
custos com a doença é a vacinação. Em 2012 a MSD obteve autorização para a
comercialização da vacina contra o iridovirus em Singapura. No Brasil
encontramos apenas a vacina para imunização contra Streptococcus agalactiae
Biotipo II, doença considerada de maior impacto na Tilapicultura, pois os
surtos de mortalidades ocorrem principalmente nos peixes adultos.
Durante
os últimos 20 anos, os vírus da família Iridoviridae têm sido responsáveis por
epizootias de grande impacto ecológico e econômico, envolvendo um grande número
de espécies de peixes, anfíbios e répteis de importância
na aquicultura de várias partes do mundo. No entanto, as informações sobre a
ocorrência de infecções de peixes e anfíbios causadas por iridovírus no Brasil
são limitadas. O diagnóstico do iridovírus é realizado através da PCR (reação
em cadeia da polimerase) e histopatologias (células basófilas e lesões
sistêmicas em órgãos).
A
iridovirose é caracterizada como uma doença de grande impacto na aquicultura,
não somente por causar mortalidades na fase inicial, mas também por deixar os
peixes susceptíveis a outras doenças. Estudos de campo devem ser realizados no
Brasil a fim de identificar e isolar os vírions predominantes na produção
aquícola brasileira.
La
Hora del Sapo
Microbiologybytes
PDBJ.org
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
McGrogan, Ostland, Byrne and
Ferguson (1998), Systemic disease involving an iridovirus-like agent in
cultured tilapia, Oreochromis niloticus L. – a case report. Journal of Fish Diseases,
21: 149–152. doi: 10.1046/j.1365-2761.1998.00082.x
Armstrong R. D. & Ferguson H. W. (1989) A
systemic viral disease of chromide cichlids, Etroplus maculatus Bloch. Diseases
of Aquatic Organisms 7, 155-157.
WORLDFISHING. AQUAVAC® IridoV receives Singapore
market authorization. Disponível em: <http://www.worldfishing.net/news101/fish-farming/aquavac-iridov-receives-singapore-market-authorisation>
Acesso em: 20 jun. 2014.
terça-feira, 15 de julho de 2014
CURSO DE PISCICULTURA EM ITAJÁ/GO
Nos dias 10 a 12 de Julho de 2014 foi realizado o Curso de Piscicultura em Viveiros Escavados pelo FAEG/SENAR GO. O curso foi ministrado pelo instrutor Fabrício Romão Galdino (Eng.° de Aquicultura) que abrangeu os seguintes tópicos:
terça-feira, 8 de julho de 2014
CURSO DE PISCICULTURA EM NOVA ROMA-GO
Nos dias 30 de Junho à 5 de Julho de 2014 foram realizados dois cursos de Piscicultura em Viveiros Escavados pelo FAEG/SENAR. Cerca de 22 alunos participaram dos cursos. O SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) Goiás tem por objetivo organizar, administrar e executar em todo o território goiano, o ensino relativo à formação profissional rural e a promoção social dos trabalhadores rurais e produtores rurais. O curso foi ministrado pelo instrutor Fernando Malamud (Eng° de Aquicultura) e abordou os seguintes temas:
- Qualidade da Água
- Construção de Viveiros
- Preparo dos Viveiros
- Manejo
- Biossegurança
- Planejamento Econômico
Texto escrito por: Bruno S. M. Mazini (Zootecnista)
sábado, 28 de junho de 2014
ESTRATÉGIAS DE RESPIRAÇÃO
Quando o ambiente aquático apresenta baixa concentração de
oxigênio dissolvido (ambiente hipóxico), é possível observar que muitas
espécies de peixes sobem até a superfície, com o intuito de ventilar as
brânquias com a fina camada de água oxigenada. Esta fina camada de água
oxigenada é obtida pela difusão do oxigênio atmosférico na água e este
comportamento apresentado pelos teleósteos é conhecido como “Aquatic Surface Respiration”
(ASR).
Este comportamento (ASR) é frequentemente observado em viveiros
de cultivo de peixes
(pisciculturas). Rantin et al (1998) registraram uma pressão crítica de
oxigênio para o pacu ao redor de 20 e 25% da saturação de oxigênio, sendo que a
respiração na superfície teve início com valores logo abaixo dessa concentração
crítica. Além disso, este teleósteo desenvolve uma projeção do lábio inferior
da mandíbula, com o intuito de captar mais eficientemente (como um funil) esta
fina camada de água oxigenada. Saint Paul (1984) relataram que o tambaqui começa
a mostrar os efeitos da hipóxia quando o oxigênio dissolvido atinge valores ao
redor de 2mg/L. Saint-Paul (1986) registrou que tanto o tambaqui como a
pirapitinga podem sobreviver por horas em águas com menos do que 0,5mg/L de
oxigênio dissolvido, utilizando uma estratégia de respiração de emergência
através do prolongamento (expansão) do lábio inferior (beiço). Acredita-se que
esta expansão labial auxilie no aumento da taxa de ventilação branquial
(aumento na passagem de água através das brânquias). No lábio expandido também
está presente uma intricada rede de capilares sanguíneos, que pode estar
envolvida na absorção direta do pouco oxigênio presente na água ou, até mesmo,
do oxigênio presente na atmosfera.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
A IMPORTÂNCIA DA BIOMETRIA
Todo o processo de produção necessita de um
acompanhamento que permita avaliar o crescimento e saúde dos peixes ao longo do
cultivo. Para isso, é realizada a biometria. A biometria é um manejo no qual
parte dos peixes cultivados é amostrada e informações de interesse, como peso e
estado de saúde dos animais, são verificados. Além disso, tais medidas
permitirão ajustes no manejo da produção, principalmente na alimentação.
As biometrias devem ser realizadas, preferencialmente,
a cada 15 dias ou uma vez por mês. Nesse período os peixes terão crescido o
suficiente para ter a alimentação ajustada. Intervalos maiores que este podem
resultar em deficiência no crescimento, por falta de adequação da quantidade de
alimento para os animais.
Os materiais necessários para o procedimento da
biometria são; Papel, lápis, calculadora, balança, sal comum de gado, Eugenol,
balde, puçá e bolsa, tarrafa ou rede de arrasto.
Cuidados no planejamento da biometria
- Os animais devem estar em jejum por um período de 24 horas antes da biometria;
- Deve-se realizar este procedimento no início da manhã, pois temperatura e incidência solar são mais amenas, diminuindo fatores de estresse para os peixes;
- Evitar capturar peixes de lotes que apresentam problemas sanitários e/ou estejam em tratamento.
A quantidade de peixes que deve ser amostrado varia de acordo com a quantidade de animais estocados no tanque. O ideal é pesar, no mínimo, 3% de cada lote.
O grupo de peixe deve ser pesado com o uso de um balde
com água. É importante conhecer antes o peso do balde com água para subtrair do
peso total. É recomendável a adição de sal na quantidade de 8g/L, diluindo este
na água com Eugenol na concentração de 0,1mL/L. O estado de saúde pode ser
avaliado a partir de características externas do peixe, como alterações na
coloração, presença de machucados e/ou parasitas. Os peixes nunca devem ser
jogados no tanque após a pesagem, eles devem ser devolvidos com cuidado.
Considerações importantes
- Podem ocorrer mortalidades até 48 horas após o manejo de biometria, se esta não tiver sido realizada adequadamente;
- Durante a biometria, os peixes devem ser manejados com cuidado, pois qualquer machucado pode contribuir para o aparecimento de doenças e levar a morte dos animais;
- O manejo deve ser rápido de forma a evitar que os peixes fiquem expostos ao ar por longo período.
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